Études Traditionnelles Ano 41 N. 202 (1936)
- Tradução Anotada de Salmos Segundo o Hebraico: Salmo XVI
- O Salmo XVI começa com a súplica "Protege-me, Deus poderoso (El), porque me refugiei em Ti".
- O nome da Divindade utilizado é El, que expressa a ideia de poder.
- O verso "Eu digo ao Eterno: Tu és meu Senhor; Minha felicidade (não é) nada sem Ti" é de interpretação muito debatida.
- A tradução "Minha felicidade não é nada sem Ti" é adotada por Hengstenberg, Symmaque e São Jerônimo.
- Santès Pagnini traduziu com a variante: "Meu bem não existe, se não é por Ti".
- Mendelssohn traduziu como: "Eu disse ao Eterno: meu Senhor! Tu és minha felicidade. Não há nada acima de Ti".
- O Targum interpreta: "Entretanto, minha felicidade não me é dada senão por Ti".
- A Septuaginta traduziu: "Tu não tens nenhum necessidade de meu bem-estar".
- Uma hipótese alternativa sugere que a leitura correta é "Tu és minha felicidade, nada está acima de Ti", sendo bal a partícula de negação poética (não, nunca, nada) e aleka significando "acima de ti".
- O verso 3, "Todo o meu prazer é estar com os santos da região e as pessoas de boa reputação", tem adire interpretado por Joseph Kimhi como aqueles que são "eminentes por suas virtudes e suas boas obras".
- Uma hipótese, que não considera a pontuação dos Massoretas, sugere que o texto original poderia ser lido como kdeschim (prostituídos) em vez de kedoschim (santos).
- Esta hipótese resulta na tradução: "Para os prostituídos da região a multidão se apressa e os ricos põem toda sua felicidade neles".
- Os kdeschim eram os jovens que se dedicavam aos ídolos sacrificando sua pureza.
- O verso 4, "Que se multipliquem suas dores àqueles que esposam um (deus) estrangeiro!", tem atsibotham que pode ser traduzido por "dores" ou "ídolos".
- O verbo maharou está na forma simples, significando "dotar", "constituir uma dote" ou "consagrar-se".
- O Targum e a Septuaginta leram o texto na forma enérgica (pihel), "apressar-se".
- O salmista usou o termo "dores" por razão poética, para não exprimir o termo "ídolos", já compreendido na expressão "divindade estrangeira".
- O verso 5, "Eu não derramarei de suas libações sangrentas, E eu não pronunciarei seu nome".
- "Eu não pronunciarei seu nome" significa "eu não jurarei por seus nomes".
- O verso 6, "O Eterno é toda a minha parte e minha taça, Ele é o sustento da minha sorte".
- A expressão "toda a minha parte" (dois substantivos sinônimos) marca um superlativo.
- "Taça" sugere que as partes da herança eram sorteadas em uma taça.
- A taça se opõe à "taça dos ídolos" cheia de sangue, da qual o salmista não fará libação.
- O verso 7, "Os cordéis (para medir minha parte) caíram para mim entre os mais produtivos, E, de ce fait, (eu tenho) um excelente herança".
- O verso remete à medição de campos com cordas para a herança.
- A tradução "productivos" (Litt. "agradáveis") está na lógica da imagem empregada pelo poeta.
- A Septuaginta traduziu "excelente" como "poderoso" (gobra), em vez de schphrah.
- O verso 8, "Que eu abençoe o Eterno que me aconselhou, Como a noite meus rins me instruíram!".
- "Meus rins" (Mes reins) é a sede dos sentimentos e das emoções.
- O verso 10, "Desde então, meu coração será alegre e minha alma regozijada, meu corpo guardará confiança".
- Kabod (glória) é equiparado a alma (psyche); leb ao espírito (pneuma); e bassar ao corpo (soma).
- O verso 11, "Porque tu não abandonarás meu cadáver (nephesch) no túmulo".
- Nephesch (alma) tem múltiplas acepções e significa também "corpo morto" ou "cadáver".
- O verso 12, "Tu não permitirás a teu santo de ver a cova".
- O singular "ton saint" (hassidka) é a leitura mais correta, apoiada pela nota massorética, pelo Talmud e pelo Midrasch Tehilim.
- O plural não é justificado, sendo o yod introduzido por motivo poético para alongar o som.
- A "cova" é entendida como "a corrupção" (diaphthoran na Septuaginta e Vulgate).
- O verso 13, "Tu me farás conhecer o caminho da vida, Eu me saciarei de felicidade contigo, E me deleitarei à tua direita, perpetuamente".
- Orah (caminho) é a forma poética para dérék.